27.12Saiu! Melhores filmes de 2008!
Sempre acho que só quem não foi muito ao cinema é capaz de dizer que o ano – qualquer ano - foi ruim para os filmes.
E fui bastante ao cinema em 2008. Vi quase 160 longas que entraram em cartaz. Então não dá para falar mal de um ano marcado pra mim como aquele em que Todd Haynes, Paul Verhoeven e a Pixar, todos donos de uma obra já admirável, se superaram.
Mas dá pra lamentar a ausência de algumas estréias por aqui. Quem agüenta essas distribuidoras cagonas que não lançaram “Chumbo Grosso”, “Redacted”, “Southland Tales”, “Lust, Caution” e “À Prova de Morte” nos cinemas, meu Deus?
Essas mancadas quase me fizeram mudar meu critério de anos para publicar uma lista de melhores filmes: sempre levo em consideração o lançamento das obras no circuito paulistano. Assim, “A Espiã” e “Shortbus”, que foram produzidos em 2006, entram na lista de 2008.
Mas em 2009, se a patifaria continuar, a coisa muda.
Antes dos melhores, revelo a lista dos filmes que toooodo mundo ama, menos eu. É a tradicional “Não, obrigado!”:
1. Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
2. Sweeney Todd (Tim Burton, 2007)
3. Ensaio Sobre a Cegueira (Fernando Meirelles, 2008)
4. Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan, 2008)
5. Falsa Loura (Carlos Reichenbach, 2008)
“Fim dos Tempos” é praticamente a caveira do cachorro morto, então entra aí só para reforçar meu desgosto com o Shyamalan pós “A Vila”
Agora, o filé mignon (os filmes ganham pequenos comentários a partir do item 10 da lista):
20. Senhores do Crime (David Cronenberg, 2007)
19. Juno (Jason Reitman, 2007)
18. Serras da Desordem (Andrea Tonacci, 2007)
17. Hellboy 2: O Exército Dourado (Guillermo Del Toro, 2007)
16. Paranoid Park (Gus Van Sant, 2007)
15. A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel, 2007)
14. Canções de Amor (Christophe Honoré, 2007)
13. O Nevoeiro (Frank Darabont, 2007)
12. Estamos Bem Mesmo Sem Você (Kim Rossi Stuart, 2005)
11. Leonera (Pablo Trapero, 2008)
10. Encarnação do Demônio (José Mojica Marins, 2008)
Décadas depois de sua última produção, Mojica retorna assombrado por imagens: as suas, de seus filmes clássicos. Porque (voltara a) filmar no Brasil é mesmo um pesadelo. E o fracasso de bilheteria só comprova a tese.
9. A Questão Humana (Nicolas Klotz, 2007)
Mais assombrações do passado. Achou o título pomposo? Pois saiba que o diretor leva até o fim a ambição de mapear o mal estar da civilização a partir dos olhos de um simples gerente de recursos humanos. É preciso culhões para ser tão pedante, convenhamos.
8. Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas, 2008)
Se você é daqueles que não agüenta mais filmes sobre periferia e favelas, vá para a puta que te pariu ou assista à “Linha de Passe” sem o preconceito besta de quem acredita que “viu um, viu todos”. Olhares sensíveis e esforçados em sua tentativa de não julgar nem vitimizar ainda existem por aqui.
7. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Christian Mungiu, 2007)
O inferno da vida real é ainda pior em longos e rigorosos planos-seqüência.
6. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
Um western que faz tic tac tic tac. Um monstro oscarizado que faz rir. E um desfecho que é fel puro. (”Queime Depois De Ler” é o antídoto).
5. Shortbus (John Cameron Mitchel, 2006)
O longa mais libertino e libertário em… sei lá, muitas décadas, foi responsável pela sessão de cinema mais memorável de 2008. Sério que ainda tem gente que se espanta com pintos eretos, vulvas e orgias em pleno século 21? Mesmo quando filmados com tanta leveza e humor e servindo de pano de fundo para um drama que diz respeito a todos nós? Que puxa.
4. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sidney Lumet, 2007)
Um efeito dominó diabólico orquestrado pelo pulso firme de quem já viveu muito e sabe que a vida, meu amigo, é mesmo essa merda toda.
3. Wall-E (Andrew Stanton, 2008)
Uma ficção-científica infantil e romântica orquestrada pelo pulso de quem já viveu o bastante para saber que a vida, meu amigo, também pode mesmo ser tão bonita quanto um musical dos anos 60. (se você assistiu com seu [sua] namorado[a], o filme sobe duas posições no ranking)
2. A Espiã (Paul Verhoeven, 2006)
Se Nicolas Klotz tem culhões, Paul Verhoeven tem o quê? Como thriller de espionagem, é um desbunde. Como filme de guerra, é contundente feito “Glória Feita de Sangue”, de Stanley Kubrick. Mas é um filme de Paul Verhoeven – aqui, visto com o modo “filho da puta” ativado no último nível. No final, ele joga o balde de merda em outras cabeças: a minha e a sua.
1. Não Estou Lá (Todd Haynes, 2007)
Assisti na Mostra do ano passado e o choque estético perdura. Em uma onda de cinebiografias bunda-moles de músicos que são qualquer coisa, menos bunda-moles (”Ray”, bleargh; “Johnny & June”, eca!), Todd Haynes organiza um painel emocionante que, visto de (não muito) longe, forma um retrato preciso de um músico que (ironia das ironias!) foge de rótulos como o Oscar foge do Brasil. Pela sacada simples e pela execução de encher olhos e ouvidos, “Não Estou Lá”, número 1.












Nossa, quem acha Fim dos Tempos bom?!? Vc anda lendo site/revista tosca - nenhum veículo que seja aceitável falou bem desse filme!
E na minha opnião (que vale tanto quanto um Cruzado Novo): Não Estou Lá é insuportável e só serve pra fã de Dylan pagar de “eu entendi, vc não?”. Encarnação do Demônio? Só se for por pena do Mojica. Não lembra nem de longe os dois primeiros, sendo que o segundo já é só médio. Paranoid Park é chato, como tudo que o Van Sant fez (menos Milk).
Nada de Let The Right One In?
December 27th, 2008 at 7:48 pm
Hahaha. Fim dos Tempos é adorado por uma galera de revistas de cinema virtuais que começam com C.
Não Estou Lá é maravilhoso. Eu não sou fã do Dylan - digo, não conheço tanto a obra dele - e me emociono facinho com o filme. Pelo prazer estético da coisa.
Encarnação eu acho genial à maneira Mojica.
Paranoid Park. Bem, eu amo Elefante e adoro Last Days.
Let The Right One In não entrou porque não foi lançado comercialmente aqui. Deve chegar em 2009.
December 27th, 2008 at 7:57 pm
esqueci de SENHORES DO CRIME.
:>/
December 28th, 2008 at 8:30 am
Bacana a lista, Diego. Não imaginava que vc gostasse tanto de Shortbus, mas é um filmão mesmo. Agora, Onde os fracos não têm vez em SEXTO?
Tudo bem, Dylan rules e tal.
December 28th, 2008 at 11:26 am
“(se você assistiu com seu [sua] namorado[a], o filme sobe duas posições no ranking)”
Exalt. Ops, aqui não é o fórum.
December 28th, 2008 at 1:31 pm
Também me surpreendi o quinto lugar de “Shortbus”, mas o filme é bom mesmo.
Já o filme do Mojica, eu realmente não acho o filme essa coisa toda.
O filme do KRS é maravilhoso mesmo, mas lembre-se de que ele é inelegível para o Alfred.
December 31st, 2008 at 1:01 pm