Ringo e Paul

Vim passar uns dias de férias em Nova York já com ingresso comprado para ver Ringo Starr & His All-Starr Band no Radio City Music Hall. Foi hoje, 07 de julho, dia do aniversário de 70 anos do Ringo. Mas (roll the drums! Preparem o filtro anti-clichês!), apesar da festa ser dele, quem ganhou o presente fomos nós, a plateia:

Ringo & Paul

Era essa a visão que eu tinha do mezanino. A foto é minha mesmo.

Para espanto geral do Radio City, Paul McCartney subiu ao palco no bis para puxar “Birthday”. Ele assumiu os vocais enquanto Ringo cuidou da bateria. Alguns minutos antes, Yoko Ono e mais umas 50 pessoas invadiram o mesmo palco para “encerrar” a noite cantando “With a Little Help From My Friends”.

Yoko, Paul e Ringo no mesmo palco.

Consegui registrar em vídeo e fotos (como essa de cima) as duas participações especiais bombásticas - e não divulgadas pela organização. Assim que a conexão do hotel permitir, subo no YouTube.

Porque esse é o tipo de coisa que merece ser eternizada e compartilhada com o maior número possível de pessoas. Cadê minha camiseta de “Eu fui!”?

ATUALIZAÇÃO: O video de Birthday!

Mais vídeos aqui. E mais fotos aqui.

Nova York - dia 2

9h30: segui para o metrô da 51st com Lexington, minha base aqui (aliás, descobri que a cena do vestido esvoaçante de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado foi filmada ali!). Subi no trem para Uptown e desci na 86. Me localizar na rede está cada vez mais fácil - é bem simples depois que você finalmente repara que, em boa parte das estações, um trilho é dividido por mais de uma linha (o que não ocorre no metrô de São Paulo, por exemplo). Parei na Dean & Deluca, na 85, e comprei um sanduíche de presunto de parma, suco de laranja e chocolate. Levei tudo para comer ali na frente do Met, porque a Tati me convenceu de que imitar Gossip Girl é legal (haha).

Entrei no Met com o Citypass e gastei umas três horas só no primeiro piso: ala egíppcia, ala romana, arte bizantina, arte da Oceania, arte moderna, arte contemporânea. No segundo, exposição de Picasso (com The Dreamer em destaque) e algumas das fotografias urbanas mais bacanas que já vi: “Hipsters, Hustlers, and Handball Players”, do Leon Levinstein. E mais arte moderna, contemporânea, diversos Monet, Manet, Modigliani, autorretrato de Van Gogh. Tanta informação que saí de lá exausto, quatro horas depois de ter entrado. Voltei para o hotel de táxi (o primeiro que peguei aqui), tomei um banho, postei umas bobagens no Twitter e segui para a estação da 51st, com destino à South Ferry Station. De lá pegaria a ferry para Governor’s Island, pra ver o Passion Pit e o Tokyo Police Club. Os barcos para Staten Island também saem de lá. Não que você, turista, precise saber disso.

Esperei uns 40 minutos no sol, aguardando o embarque na ferry, e, pra passar o tempo, contei o número de Wayfarers na fila (infinito + 1). Embarquei e vi o skyline do lado sul da ilha enquanto nos aproximávamos de Governor’s Island. Bonito.

Na bilheteria de will call, finalmente encontrei o Lucas Penido (obrigado pela companhia, Lucas!). Comemos o Philly Cheese Steak mais caro do universo visível e invisível e sentamos no gramado enquanto as bandas de abertura da banda de abertura se apresentavam. Não sei o nome, mas gostei da segunda.

(A Tati acaba de lembrar: We Were Promised Jetpacks. Escoceses. Bons.)

Me despedi do Lucas, que precisava ir embora, e acho que entreguei por engano uma nota de 100, em vez de uma de 10, para a garota que vendia água a 4 dólares.

Melhor não pensar nisso.

Governor’s Island, nada a ver com a homônima carioca, é uma ilha pouco visitada por turistas. Fica a 10 minutos de barco de Manhattan e só abre nos meses quentes. Tem gramados, praia, aluguel de bicicletas, casarões de 2 séculos, um castelinho e uma alameda linda, a Colonel’s Row, muito usada pra shows. Vejam que beleza de lugar. Hoje, o Tokyo Police Club e o Passion Pit (no encerramento da pequena turnê que fizeram juntos) reuniram 7500 pessoas por lá - o maior público da carreira do Passion Pit, segundo o vocalista (como eu era uma das pessoas mais velhas ali, só posso concluir que o teaser de Little Big Planet 2 surtiu efeito).

A ilha é  um lugar bonito, perfeito para um show desse porte, mas com um problema: como tirar essa gente toda de lá rapidamente, depois que o concerto acaba? Preferi não confiar na organização, impecável até então, e, antes do show terminar, me dirigi até o pier para pegar a ferry de volta para Manhattan. Perdi a última música do Passion Pit (Sleepyhead, creio), e posso dizer que foi à toa: a volta foi bem tranquila. Retornei à linha 1 do metrô pela South Ferry Station.

Parei num Applebee’s na Broadway, altura da 50 St. Comi em 30 minutos e voltei para o hotel. Tenho bolhas nos pés e uma ameaça de cãimbra na panturrilha esquerda. Fiz um video do Passion Pit mas não dá pra subi-lo com a lentidão da internet do hotel. A noite de sono promete.

PS: Esqueci de dizer que, ontem, parei também na St. Patrick’s Cathedral pra agradecer por toda a diversão. Custa nada, não é?

Nova York - dia 1

Passei a noite em claro zapeando pelos canais do 777 da American Airlines. Desembarquei no JFK às 6h05 depois de 9 horas e 40 minutos de um voo chato e lotado. Ensinei algumas palavras em inglês a um cara - que Tati Contreiras, minha querida companheira de viagem, genialmente apelidou de “Eliéser de Itapira” - e aguardei cerca de uma hora na imigração. Respondi apenas duas perguntas ao oficial: “Férias?” (resposta: Sim) e “Primeira vez aqui?” (resposta: Sim). Peguei o Air Train para Jamaica Station. Em Jamaica Station, peguei o trem E do metrô para a Lexington Avenue com a 53rd St. Suei feito um porco depois de carregar duas malas por corredores quentes (30 graus celsius na superfície, uns 40 nas estações subterâneas). A Linha E apresentou algum problema - falaram em “incidente” e lembrei de Lost - que fez o trem parar a cada 5 minutos. Quem precisava chegar logo ao trabalho aparentava impaciência. Eu xingava mentalmente o filho da puta que provavelmente havia se atirado na linha do trem e atrasado a vida de tanta gente. Demorei uma hora e meia num trajeto que, normalmente, leva 30 minutos. Desci na 51st, dei de cara com uma equipe de TV gravando algo com 3 tiazonas em seus mid 50s, trouxe as malas para o hotel e, enquanto o quarto ainda não estava disponível,1) liguei para o meu pai para dizer que estava vivo e bem, 2) fui comer um sanduíche de pastrami na deli da esquina (Pax, bem decente), 3) dei uma volta pelas redondezas, 4) descobri, num raio de 50 metros do hotel, uns 5 pubs que exibirão o jogo do Brasil sexta e 5) conheci o prédio da ONU, a 3 quadras daqui. Voltarei lá para fazer o tour completo. Ao meio dia, retornei ao hotel, subi para o quarto, deixei gorjeta para o bellboy, tomei um banho, dormi até as 16h e fui para o Rockefeller Center. No caminho, dei umas voltas pela Park Avenue e pela 5th. Entrei na Grand Central Station. Rolou uma lagriminha. Não resisti à Best Buy da 5th, não longe dali, e garanti as encomendas de uma amiga, comprei um blu-ray de Toy Story e implorei que Tati me arrastasse de lá.  Finalmente no Rock, comprei o NY City Pass (que dá direito a 6 atrações da cidade por um preço bem bacana), subi ao topo em 50 segundos, me emocionei com a vista perfeita do Central Park, fiz dezenas de fotos, sentei e esperei alguns minutos para a luz do verão americano espalhar sombras pela cidade toda.

E que cidade..

Desci, passei pela lojinha que lembra a saída de alguma atração Disney (tem até foto no fim da “ride”), tirei foto da Tati na frente da Dean & Deluca (ela é fã de Felicity), babei com os gifts da loja da NBC (The Office! Friends!), fui à loja da Lego ali do lado, comprei um chaveiro de um stormtrooper e, a caminho do hotel, parei em uma grocery simpática (Azure, esquina da 3rd com a 51st), comprei Ben & Jerry’s de baunilha, subi no terraço do Pod (onde tirei essa foto) e matei o sorvete. Saí de novo. Comprei um metrocard para viagens ilimitadas por duas semanas (a máquina pediu meu zip code; digitei 90210), peguei o E train em direção ao Theater District, trombei em dezenas de pessoas que lotavam a Broadway e a Times Square às 22h, resolvi que vou ver American Idiot, vi um clone da Peggy Bundy de “Married With Children”, comprei 4 camisetas vagabundas por 20 dólares, comi uma pizza no John’s Pizzeria, voltei para o hotel, me irritei com a internet lenta e descobri que sexta tem show do Faith No More em Williamsburg.

[[fim do dia 1]]

Top 100 - Filmes dos anos 2000

Listinha pedida pelo Chico Fireman e compilada com os tops de outros cinéfilos aqui.  O resultado do conjunto é bem melhor que o meu, mas aí estão meus 100 preferidos dos últimos 10 anos, contando de 2000 até o final de 2009:

1. Dogville (Lars Von Trier, 2003)
2. Caché (Michael Haneke, 2005)
3. Kill Bill - Vol 1 (Quentin Tarantino, 2003)
4. Edifício Master (Eduardo Coutinho, 2002)
5. Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)
6. A Última Noite (Spike Lee, 2002)
7. A Vida Marinha com Steve Zissou (Wes Anderson, 2004)
8. A Menina Santa (Lucrecia Martel, 2004)
9. O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001)
10. Não Estou Lá (Todd Haynes, 2007)

11. Amor à Flor da Pele (Wong Kar-Wai, 2000)
12. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
13. A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
14. Terra dos Mortos (George Romero, 2005)
15. Elefante (Gus Van Sant, 2003)
16. O Prisioneiro da Grade de Ferro (Paulo Sacramento, 2004)
17. Sobre Meninos e Lobos (Clint Eastwood, 2003)
18. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
19. O Hospedeiro (Bong Joon-Ho, 2006)
20. Amantes Constantes (Philippe Garrel, 2005)

21. Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)
22. Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
23. Jogo de Cena (Eduardo Coutinho, 2007)
24. Redacted (Brian De Palma, 2007)
25. Shortbus (John Cameron Mitchell, 2006)
26. Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2003)
27. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)
28. AI - Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001)
29. Em Busca da Vida (Jia Zhang Ke, 2006)
30. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)

31. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes, 2009)
32. Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
33. Um Filme Falado (Manoel de Oliveira, 2003)
34. Chumbo Grosso (Edgar Wright, 2007)
35. Wall-E (Andrew Stanton, 2008)
36. Amantes (James Gray, 2008)
37. Femme Fatale (Brian De Palma, 2002)
38. Pulse (Kiyoshi Kurosawa, 2001)
39. O Pântano (Lucrecia Martel, 2001)
40. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)

41. A Leste de Bucareste (Corneliu Porumboiu, 2006)
42. A Espiã (Paul Verhoeven, 2006)
43. À Prova de Morte (Quentin Tarantino, 2007)
44. Onde os Fracos Não Têm Vez (Ethan e Joel Coen, 2007)
45. Antes do Pôr-do-Sol (Richard Linklater, 2004)
46. As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000)
47. Audition (Takashi Miike, 2000)
48. O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
49. O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005)
50. Corpo Fechado (M. Night Shyamalan, 2000)

51. A Concepção (José Eduardo Belmonte, 2005)
52. Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (Sidney Lumet, 2007)
53. Oldboy (Park Chan-Wook, 2003)
54. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)
55. O Sabor da Melancia (Tsai Ming-Liang, 2005)
56. O Céu de Suely (Karim Ainouz, 2006)
57. Memórias de um Assassino (Bong Joon-Ho, 2003)
58. Santiago (João Moreira Salles, 2007)
59. King Kong (Peter Jackson, 2005)
60. Primer (Shane Carruth, 2004)

61. Os Outros (Alejando Amenábar, 2001)
62. O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
63. Ônibus 174 (José Padilha, 2002)
64. Ninguém Pode Saber (Hirokazu Koreeda, 2004)
65. A Vila (M. Night Shyamalan, 2004)
66. Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)
67. Escola de Rock (Richard Linklater, 2003)
68. As Cinco Obstruções (Jorgen Leth e Lars Von Trier, 2003)
69. Colateral (Michael Mann, 2004)
70. Zodíaco (David Fincher, 2007)

71. Tarnation (Jonathan Caouette, 2003)
72. A Hora do Show (Spike Lee, 2000)
73. Team America (Trey Parker, 2004)
74. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
75. O Invasor (Beto Brant, 2002)
76. O Equilibrista (James Marsh, 2008)
77. Ratatouille (Brad Bird, 2007)
78. Intervenção Divina (Elia Suleiman, 2002)
79. Huckabees - A Vida é uma Comédia (David O. Russell, 2004)
80. Dolls (Takeshi Kitano, 2002)

81. O Lutador (Darren Aronofsky, 2008)
82. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburger, 2006)
83. Amnésia (Christopher Nolan, 2000)
84. Kung-Fusão (Stephen Chow, 2004)
85. The Brown Bunny (Vincent Gallo, 2003)
86. Match Point (Woody Allen, 2005)
87. Brick (Rian Johnson, 2005)
88. Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
89. A Criança (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2005)
90. Tropa de Elite (José Padilha, 2007)

91. Em Paris (Christophe Honoré, 2006)
92. Bug (William Friedkin, 2006)
93. Avatar (James Cameron, 2009)
94. Borat (Larry Charles, 2006)
95. O Nevoeiro (Frank Darabont, 2007)
96. Serras da Desordem (Andrea Tonacci, 2006)
97. Estamos Bem Mesmo Sem Você (Kim Rossi Stuart, 2006)
98. Vocês os Vivos (Roy Andersson, 2007)
99. Dear Zachary (Kurt Kuenne, 2008)
100. Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)

9 meses num dia da marmota desarmando bombas no Iraque

O que pessoas normais fazem em 9 meses?

O período remete imediatamente ao tempo da gestação humana. Pessoas têm um filho (ou dois, ou três) em 9 meses!

Outras cursam um ano inteiro numa universidade. Algumas dão uma volta ao mundo, reformam um apartamento, compram um Playstation 3, mudam de emprego, se livram de um câncer, assistem a temporadas completas de Big Bang Theory e Battlestar Galactica, seguem em frente.

Eu não. Eu retorno ao passado. Todo dia, sem falta, retomo do ponto em que paramos há 270 dias, como se absolutamente nada de novo tivesse acontecido nesse período. Puxo conversa, convido, reclamo, tiro sarro, brigo, xingo, tento agradar para pedir desculpas - exatamente nesta ordem. Vivo num eterno dia da marmota. Não deixo o samba morrer.

Até prometo a mim mesmo que não farei nada disso no dia seguinte (e curioso como essas promessas de curta duração parecem fazer parte do mecanismo diabólico que alimenta o meu personal-groundhog-day). Mas só recupero a consciência depois que a primeira mensagem saiu do meu celular, como se digitada em um transe muito mais forte que minha autoconfiança. Ouço sininhos, acordo, releio a mensagem na caixa de Enviados e penso que, puts, “poderia ter evitado mais essa”.

É uma rotina exaustiva. Mas a gente se acostuma a qualquer situação desconfortável, não? 14 horas de trabalho diárias, banhos gelados, falta de dinheiro… Até a coreografia de Single Ladies parece mais simples depois de repetida à exaustão.

Então como não se acostumar a um desconfortozinho no peito toda vez que te relembro? E que mal há em sentir uma falta de ar repentina sempre que te vejo cruzando a rua, 20 metros distante, fones nos ouvidos e completamente concentrado no caminho, sem a menor chance de me notar? Ela, a falta de ar, vai passar e voltar no dia seguinte, tudo bem. Mas eu continuo aqui, vivinho da silva.

Se vocês assistiram a The Hurt Locker, devem ter notado como o personagem principal, um sargento do exército americano, sente prazer ao trabalhar desarmando bombas, ainda que a atividade coloque sua vida em risco diariamente.

Pois bem. Acho que que sinto prazer em rodear a bomba todos os dias, sem a menor vontade de desarmá-la.

E a esperança (ela existe, porque este é um texto otimista!) é a de que, um dia, eu me canse de ir até ela e arranje sarna para me coçar em outro lugar.

Irã, here we go!


(nade pra chegar ao fim. O Surfer Blood garante que é divertido, apesar de a gente não sabe o que tem lá)

35 músicas que me acompanharam em 2009

Dinosaur Jr: paixão tardia

Dinosaur Jr: paixão tardia

Minha listinha de melhores discos de 2009 você talvez tenha visto aqui. Foi atualizada ao longo do ano inteiro, infelizmente - e novamente - com menos álbuns do que eu gostaria de ter ouvido.

A de canções segue agora. Pincei, desses discos do ano, as músicas que me acompanharam em 2009 - nas caminhadas para o trabalho, nas festas, nas viagens, na montanha-russa de emoções em que se transformou meu segundo semestre. Foi divertido notar, ao compilar a lista, como cada uma dessas canções remete imediatamente a períodos bem específicos do meu ano.  (já “I’ll Fight”, do Wilco, atemporal, me lembra alguém mesmo).

O disco que não saiu do repeat no iPod foi “Farm”, do Dinosaur Jr. Pra mim, a melhor coisa que tio Mascis & cia já fizeram na vida (mas não deixem os outros fãs saberem disso, eles são mais conservadores do que eu).

É uma lista pessoal e passional, mas com boa dose de obviedade. “Lisztomania”, do Phoenix, está em todas, mas quem tem coragem de deixar música tão redondinha de fora? E como ignorar “Two Weeks”, do Grizzly Bear, e seus arranjos de encher o coração?

A compilação das 35 músicas você pode baixar aqui. Tem 245 mb e uma playlist que organiza as canções numa ordem que faz certo sentido pra mim. Hospedado no Megaupload, porque o Rapidshare não aceita arquivos com mais de 200 mb.

A seleção:

1. Camera Obscura - French Navy
2. Banda Gentileza - O indecifrável mistério de Jorge Tadeu
3. Generationals - When They Fight They Fight
4. Morrissey - All You Need is Me
5. Phoenix – Lisztomania
6. Móveis Coloniais de Acaju - Lista de Casamento
7. Peter Bjorn and John - Nothing to Worry About
8. Super Furry Animals - The Very Best of Neil Diamond
9. Wilco - I’ll Fight
10. Yeah Yeah Yeahs – Zero
11. The Pains of Being Pure at Heart - Young Adult Friction
12. The xx – Islands
13. Grizzly Bear - Two Weeks
14. Dirty Projectors - No Intention
15. Wild Beasts - This is Our Lot
16. Franz Ferdinand - Lucid Dreams
17. Passion Pit – Sleepyhead
18. 80kidz - Miss Mars
19. La Roux - I’m Not Your Toy
20. Girls - Hellhole Ratrace
21. Telepathe - So Fine
22. Animal Collective – Brothersport
23. Handsome Furs - I’m Confused
24. Julian Casablancas - 11th Dimension
25. Jumbo Elektro - Eh o Zizi
26. Major Lazer - Keep It Goin’ Louder
27. MSTRKRFT feat N.O.R.E. & Isis – Bounce
28. Sparklehorse & Dangermouse - Little Girl
29. YACHT - The Afterlife
30. The Gossip - Love Long Distance
31. Arctic Monkeys - Dangerous Animals
32. Japandroids - Young Hearts Spark Fire
33. Sonic Youth - Anti-Orgasm
34. Them Crooked Vultures - Dead End Friends
35. Dinosaur Jr – Pieces

***
De bônus, mais duas listinhas:

5 melhores shows do ano

1. Radiohead (março, Just a Fest, Chácara do Jockey)
2. Franz Ferdinand (setembro, The Week)
3. Friendly Fires (agosto, Popload Gig 2, Studio SP)
4. Dirty Projectors (dezembro, Clash Club)
5. Metronomy (novembro, Planeta Terra, Playcenter)

5 decepções
1. Show do Primal Scream no Planeta Terra
2. “Volta” do Los Hermanos no Just a Fest
3. Them Crooked Vultures
4. Show do Oasis no Anhembi
5. A ausência de um espaço decente para shows de médio porte em São Paulo. Só temos o Anhembi (e seu sistema de som porco) e a Chácara do Jockey (e a lama, o trânsito infernal, as passagens estreitas…)?

9 vídeos de 2009

1. Grizzly Bear - “Two Weeks”

Enfiados numa igreja e transformados em algo parecido com assustadores bonecos de ventríloquo, os membros do Grizzly Bear têm uma espécie de orgasmo de luz no clímax de uma das melhores canções do ano. Não é pra entender. Arte.

2. Lenny Kravitz - “Let Love Rule” (Justice Remix)



Metalinguagem na sua Sessão da Tarde oitentista preferida (e parabéns aos picaretas do Justice por tornarem palatável algo vindo de Lenny Kravitz )

3. Massive Attack - “Paradise Circus

Aos 73 anos, a ex-atriz pornô Georgina Spelvin dá seu depoimento sobre sua participação no clássico erótico “The Devil in Miss Jones”. Hope Sandoval canta ao fundo, mas ninguém nota, porque Georgina ama a câmera e a câmera ama Georgina.

4. Dinosaur Jr - “Over It

J Mascis e Lou Barlow andando de skate e bicicleta numa tarde de verão. A vida é linda, mesmo com a ajuda de dublês. (O lado B sombrio do clipe é este vídeo do Unkle, “Heaven”)

5. Passion Pit - “The Reeling

Tão “gasto” que dá a impressão de que vai desmanchar. E se desmancha. E aí vira uma animação ao estilo das melhores coisas que Michel Gondry, inspiração clara, já fez.

6. Matt & Kim - “Lessons Learned”

Uma câmera rodando em alta velocidade na mão, nada no corpo e na cabeça.

7. Fever Ray - “If I Had a Heart

É como se John  Carpenter tivesse assistido, adorado e se inspirado em toda a filmografia de Ingmar Bergman.

8. Major Lazer - “Pon de Floor

Eric Wareheim, ídolo hipster, faz a versão mais “safe for work” de seus vídeos alucinógenos NSFW. Quanto tempo até Lady Gaga contratá-lo?

9. Lady Gaga - “Bad Romance

Já que tocamos no assunto e é impossível fugir dela, que fique registrado que o vídeo da canção mais grudenta e insuportável de 2009 é ridículo, cafona, consciente disso e bem humorado como pouca coisa a surgir no YouTube este ano. Gaga só se diferencia das outras porque se leva pouco a sério. Aqui, isso fica evidente.

Os melhores filmes de 2009

Nada como uma lista para trazer à vida um blog morimbundo!

2009 deve ter sido o ano em que menos assisti a filmes na última década, mas a lista está aí, firme e forte. Certeza mesmo, só do primeiro colocado. Um monstruoso primeiro colocado.

Valendo só filmes que entraram em circuito nos cinemas brasileiros em 2009.

20. Eu Te Amo, Cara (John Hamburg, 2009)

A “nova geração” do humor americano atinge a maturidade na comédia romântica do ano.

19. Vocês, os Vivos (Roy Andersson, 2007)

A vida, essa série de esquetes nonsense.

18. Se Nada Mais Der Certo (José Eduardo Belmonte, 2008)

Porque o que vale é o caminho. E quem você acolhe ao longo dele.

17. Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, 2008)

Um tilt bem humorado nas engrenagens da ficção e do documentário.

16. 2012 (Roland Emmerich, 2009)

Declaração de amor aos filmes-catástrofe na forma de uma catástrofe de filme. Lixo lindo.

15. Inimigos Públicos (Michael Mann, 2009)

Remix vanguardista de um subgênero antiquado. Gângsters nunca soaram tão românticos como quando em altíssima definição.

14. Moscou (Eduardo Coutinho, 2009)

Com “Aquele Querido Mês de Agosto”, forma a dupla responsável por colocar em xeque os mecanismos de representação e registro nos cinemas em 2009.

13. Milk (Gus Van Sant, 2008)

Na essência, um filme a favor do direito de amar, exclusivamente.

12. No Meu Lugar (Eduardo Valente, 2009)

Aulinha de como utilizar uma estrutura viciada (a velha artimanha das múltiplas histórias que se cruzam em determinado ponto do roteiro) a favor de um cinema que foge de rótulos e do fatalismo.

11. Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)

Sobre meninos, caçadores e lobos.

10. Avatar (James Cameron, 2009)

Esforço épico para recuperar o prazer de se frequentar uma sala de cinema. Valeu, James Cameron. Tá tudo bem agora.

09. O Fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson, 2009)

“Desperte o tigre em você!”

08. O Equilibrista (James Marsh, 2008)

Entre a arte e a loucura, aquela linha tênue.

07. Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008)

Sala de aula, um campo de batalha.

06. Up – Altas Aventuras (Pete Docter e Bob Peterson, 2009)

Pessoas vão, sonhos ficam. Encharquei os óculos 3D.

05. Polícia, Adjetivo (Corneliu Porumboiu, 2009)

Adjetivo: “Que serve para modificar um substantivo, acrescentando uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que ele nomeia (diz-se de palavra)”

04. O Lutador (Darren Aronofsky, 2008)

Aronofsky sóbrio fez um grande réquiem para uma estrela decadente.

03. Amantes (James Gray, 2008)


Um perdido numa noite suja

02. Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)


Chupa, Crepúsculo!

01. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)


Chupa, Hitler! (mas sim, Quentin, também acho que esta seja a sua obra-prima)

E mais:

Quase chegaram lá: Arraste-me para o Inferno, As Ervas Daninhas, Beijo na Boca, Não!, Star Trek, Abraços Partidos, A Troca, O Casamento de Rachel, Simplesmente Feliz, Sinédoque, Nova York,

Não, obrigado: Apenas o Fim, Quem Quer Ser Um Milionário?, Watchmen, Presságio, O Leitor.

Lixo tóxico: W., Budapeste, The Spirit, Transformers – A Vingança dos Derrotados, O Grupo Baader Meinhof, Os Normais 2, Salve Geral, Se Eu Fosse Você 2, O Solista, Do Começo ao Fim, Gamer.

Fail cinematográfico do ano: distribuidor não exibiu Guerra ao Terror nos cinemas, lançando-o diretamente em DVD.

Twittess, Mirian Bottan e Aline Lii na VIP de julho

E o Twitter vira fonte de diversão para adultos heterossexuais!

Tessália Serighelli, Mirian Bottan e Aline Liii, três das garotas mais seguidas/comentadas/gatas da twittosfera, são estrelas de um ensaio da revista VIP, da editora Abril, de julho. A publicação chega às bancas nesta sexta-feira (26). Mirian e Aline foram fotografadas em São Paulo por Fausto Roim; Tessália foi clicada no Rio em Curitiba por David Peixoto.

Não posso contar exatamente como se deu a seleção das três para o ensaio, mas cheguei a sugeri-las para a redação.

Em breve, as fotos por aqui.

(quatro dias depois) ATUALIZAÇÃO

Eis Aline Lii em uma foto feita no ensaio mas que acabou não entrando na edição impressa (na revista há outras imagens inéditas da moça):

Peguei lá no Desculpe a Poeira, ótimo blog do Ricardo Lombardi, diretor de redação da VIP.

É preguiça E falta de tempo - 1

Admito: não dá para dizer que estou sem tempo porque minhas férias começaram há duas semanas. Mas, como tem acontecido com frequência desde, hum, dezembro de 2006, minha vida foi mais chacoalhada que bunda de mulher-fruta nos últimos dias. Uma delícia que me deixou sem fôlego para comentar coisas como…

… a nova revista SET. Editada por Roberto Sadovski até abril deste ano, a publicação de cinema mais tradicional do país mudou de mãos com a compra da editora Peixes pela CBM de Nelson Tanure. A nova SET, que ficou sem circular em maio, passa a ser capitaneada por um time do Jornal do Brasil (que também pertence à CBM). Mario Marques é o publisher e Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun são os editores. A revista chega às bancas em 5 de junho com “O Exterminador do Futuro: A Salvação” na capa. O sempre bom de ler Pedro Butcher é um dos novos colunistas. Não folheio a SET desde a edição de dezembro de 2003 - “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”  - e não gostava da linha “peido de super-herói vale capa”, mas a revista esteve tão ligada à minha adolescência nerd que espiarei a versão nova nem que seja para abandoná-la melancolicamente logo depois.

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Falando em melancolia e mortos-vivos, assisti à “Exterminador do Futuro: A Salvação” na última sexta (estreia prevista para o dia 5 aqui no Bananão). Única surpresa é que o picotador-freak McG agora tenta fazer planos-sequência à la Joe Wright que resultam desajeitados e desnecessários (pense nisso se você notar que há algo de estranho na cena do helicóptero, logo no começo, e não entender bem o porquê). Christian Fucking Bale incorpora de vez a hilariante voz rouca de seu Batman, Helena Bonhan Carter faz a ponta mais constrangedora de sua carreira, Bryce Dallas Howard nos deixa morrendo de saudades de “A Vila” e só Sam Worthington salva. Vai dar um bom protagonista para “Avatar”, o sujeito. O trailer entrega a reviravolta do personagem do cara, única ideia realmente interessante e nova dessa continuação que ignora o bom terceiro filme da série.  De resto, espere por referências tristonhas aos dois primeiros longas (na trilha, nas frases de efeito e em uma bizarra “participação especial”) e por uma chuva de novos terminators - aquáticos, voadores, em forma de moto, gigantes  - capaz de entediar até adolescentes. Porque eles querem mesmo é ver “Transformers 2″ (cof cof eu também cof cof).

Guentae que já já tem mais.

@twittess is now following you on Twitter

A curitibana Tessalia Serighelli de Castro tem 21 anos (22 a partir do próximo dia 11), uma filha (Tina, 3 anos) e uma conta com mais de 12 mil seguidores no Twitter, o que a coloca entre os 10 brasileiros mais populares na ferramenta. Se você tem um perfil por lá, é possível que, nas últimas três semanas, tenha recebido o e-mail “@twittess is now following you on Twitter” em sua caixa de entrada.

Tessalia passou a usar o Twitter com mais afinco há pouco tempo. Quase ninguém a conhecia. Mas, desde 13 de março, ela tem adicionado centenas de perfis por dia ao seu perfil. Ela conta que, no começo, fez o serviço na mão. Depois, passou a experimentar “aplicativos” que fazem o trabalho sozinho (como este script criado por Danilo Salles).

Sair adicionando centenas de perfis a esmo não é uma estratégia nova para ganhar popularidade rápida no Twitter. Mas, no caso de Tessalia, a tática parecia ainda mais pensada: a foto do perfil revela uma mulher jovem e inegavelmente atraente; o background é trabalhado; a esmagadora maioria dos updates são replies (um verdadeiro tweetchat) e aqueles que não os são contêm links para vídeos ou notícias curiosas e amenidades.

Em cerca de três semanas, Tessalia conseguiu mais seguidores que Kibe Loco, quase o mesmo que Rosana Hermann (que tem experimentado o script de Danillo Salles e escreveu a respeito em seu blog) e um pouco menos do que o humorista Danilo Gentili. O número de pessoas que ela segue é superior ao número de pessoas que a seguem (diferença de 1000, aproximadamente; o que, óbvio, indica que nem todo mundo caiu na tática).

(Os dados servem só para o  domingo, 5 de abril de 2009 - os números devem mudar rapidamente)

Em sua descrição, ela diz que passa 18 horas por dia online. Tessalia trabalha em uma agência de publicidade, cria uma filha e, ainda assim, twitta freneticamente. Sua popularidade foi conquistada tão rapidamente, e de maneira tão “artificial” (aspas, por favor), que suspeitar da veracidade de seu perfil parece ordem.

Seria uma ação para um especial “ninfeta nerd” da Playboy? A introdução de uma nova apresentadora da MTV? Um experimento de algum analista de social media brincalhão que conhece pouco de Twittiqueta? Um marmanjo peludo com muito tempo livre, que se aproveitou de fotos e perfis no Facebook e Linkedin de uma Tessalia “real”?

Neste domingo (5), no Twitter, perguntei se Tessalia toparia uma entrevista (aqui). Antes, havia ironizado – com alguma grosseria, assumo – a natureza do perfil da garota. Pedi uma entrevista com vídeo. Alguns replies depois, Tessalia me adicionou no GTalk.

Tessalia: Olá. Está ocupado agora?
Diego: Oi, Tessalia. Estou um pouco, mas podemos falar.
T: Tem alguma coisa que eu posso te responder, sem ser em vídeo?
Diego: Talvez. Mas é claro que o vídeo responderia milhares de perguntas de uma vez só. :) Por que você não quer abrir a câmera?
Tessalia: Estou de pijama, com o cabelo molhado, comendo macarrão em cima do Mac ;D

Mesmo assim, engatamos um papo logo depois. A íntegra da conversa está aí:

Você é de Curitiba?
Sou sim.

É que no seu perfil no Facebook eu vi São Paulo…
Pois é. Eu mudei de cidade três vezes nos últimos três anos. Mas sou daqui mesmo. Morei em São Paulo no ano passado.

Estudou por aqui?
Não, eu trabalhei um pouco por aí. Com fotografia. Fiz freelas, conheci o mercado de publicidade. Gostei. Quero voltar.

Você trabalha com publicidade hoje?
Sou redatora em uma agência de publicidade,

Em que agência?
Na CS Revue.

Você se lembra de quando começou a usar o Twitter?
Olha, uma vez vi um gráfico por aí. Eu tinha entrado em março! Mas eu não lembro ao certo. Foi ano passado, quando começou a onda entre a galera de comunicação.
Mas eu não usava.

Você fala do seu gráfico do Twitter Grader? Lá dá pra ver que rola uma “explosão” no número de pessoas que você segue a partir de 13/03.
É, fui adicionando bastante gente quando “descobri” o Twitter. Bem o tipo de coisa que a galera fez quando rolou o Orkut.  “Vou adicionar pra ver qual é”. Mas o máximo era dois mil. Então, fui em dois mil.

Você usou algum script pra adicionar tanta gente ao mesmo tempo?
Eu vejo todo dia aplicativo novo para Twitter. De tudo quanto é tipo. E experimento todos. Mas nem por isso sigo usando. É mais pra ver qual é, e poder contar pra galera.

E, nisso, você chegou a usar algum script?
Bom, eu não sei bem o que é um script ou não. Mas eu usei de tudo. Hahaha, parece depoimento de ex-drogado.

Mas deve ser humanamente impossível clicar em dois mil botões de ‘follow” em um dia só, não?

Ah sim. Tinha aplicativos pra seguir de volta quem segue você também, essas coisas. Mas, na verdade, do dia 13 ao dia 15, que foi quando eu adicionei os dois mil, foi na “hands” mesmo. Sigo de volta quem me segue. Isso é algo que a galera leva em consideração. @GOUP @interney e @julioyam fazem isso.

Na real, alguns deles começaram a fazer isso há pouco tempo. Uma questão que me intriga, já que antes eles tinham milhares de seguidores (mas menos do que hoje) e seguiam de volta um número bem menor de pessoas…
Mas acho que tem muita gente que faz isso. Visito muitos perfis diariamente, e tem muita gente que segue de volta. Mas não tendo uns posts legais, a galera não segue. Acho que foi inspirado em como o Twitter funciona lá fora. Pra você ter ideia, aqui enquanto conversamos na janela do GMail, tô vendo os novos seguidores. Foram 53.

Sua caixa de email deve estar dando trabalho.
Eu gosto de saber quem começa a me seguir. Tem gente de fora que segue, é legal e eles vêm falar comigo. Mas gosto de ver certinho quem tá me seguindo. Fiquei superfeliz quando o @lapena veio falar comigo. Mas tem uma coisa que eu não entendo…

O quê?
É como essa galera realmente pop tem tão pouco seguidor, e esses desconhecidos fazem tanto sucesso. O @lapena tem uns dois mil, e ele é o Hélio De La Peña! Tirando a galera do CQC, eles não têm tanta fama no Twitter. Podemos apressar o papo um pouquinho?

Claro, tudo bem.
Tenho que fazer lição de casa com minha filha…

Você tem uma filha?
Sim, a Tina. Tem 3 anos ^^ Tem foto dela no Flickr do Meadiciona do meu perfil, e eu tinha o Orkut lá também. Mas eu não uso muito. Estava ficando complicado, sabe.

Sei. E como é que você arranja tempo para passar 18 horas online twittando se tem uma filha e trabalha?

Bom, eu twitto sempre que acho alguma coisa legal, e trabalho no computador, fica mais fácil.

Não te desconcentra do trabalho?
Eu uso o TwitterFox, não desconcentra não.

E ser bastante seguida, entrar no top 10 do Brasil… Tem algum propósito maior nisso tudo?
Não, eu uso para me divertir e me informar. E assim, fico a par de como as coisas acontecem nas redes sociais, algo que me ajuda no trabalho. É divertido isso, de ter vários seguidores. È muito bom, na verdade. Se quero uma opinião, é só perguntar no Twitter, que tenho uma amostra ali. Pergunto sobre filmes, coisas de meninos, e posto o que vou achando. E tenho realmente seguidores convictos, que me dão bom dia e boa noite, e sempre respondem minhas “pesquisas”. É bem legal. Acho que se eles seguem, é porque gostam

As pessoas tendem a dar unfollow quando “experimentam” e não gostam.
Sim, também acho.

Mas você não teme ficar meio “queimada” com o fato de sair adicionando todo mundo, usando programas ou não? Muita gente encara como um tipo de spam.

Eu também “experimento” as pessoas. E continuo seguindo quem eu gosto. As pessoas têm liberdade, gostam ou não gostam. É questão de escolha. Aí vai se formando a rede de seguidores reais, mas com o tempo. Agora é tudo uma experimentação. Acho que o Twitter vai superar o Orkut. Mas aí são conversas mais filosoficas :P. Olha, eu preciso ir.

Tudo bem. A gente conversa mais depois, então.
Espero que tenha esclarecido um pouco as coisas pra você. Eu não sou fake, nem um marmanjo barbudo. Sou eu mesma nas fotos, e nunca usei nenhum programa pra postar por mim. Nem TweetLater. Eu gosto de eu mesma responder os replies.  ;)

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Fakes ou não, o surgimento de perfis como o de Tessalia, que crescem “artificialmente” (aspas, por favor), talvez jogue lama no conceito de “meritocracia informal” atribuído ao Twitter por alguns entendidos. Talvez, para ser seguido, basta só seguir. Talvez o conteúdo dos seus tweets não seja tão importante, afinal. Talvez, o trabalho de separar o joio do trigo (ou definir o que é joio e o que é trigo) na twittosfera dificulte planos de monetização da ferramenta. Talvez, como bem disse Tessalia, o pesadelo de muitos early adopters se materialize e o Twitter realmente se transforme em um novo Orkut.

Quem quer arriscar mais previsões no olho do furacão?

Não é preguiça, é falta de tempo 1: de Eduardo Coutinho ao Radiohead

Assisti hoje ao novo longa de Eduardo Coutinho, “Moscou”, em uma cabine do Festival É Tudo Verdade. Admiro o cineasta a ponto de ter feito de “Edifício Master” (2002) o tema do meu trabalho de conclusão de curso na graduação em Jornalismo. “Moscou” dá prosseguimento à investigação da mecânica da encenação que Coutinho começou - ou escancarou de vez - no maravilhoso “Jogo de Cena” (2007). Agora, em vez de encenar histórias de pessoas comuns, o diretor pega o texto clássico de “As Três Irmãs”, de Anton Tchecov, e o entrega ao Grupo Galpão de teatro. A meta é encenar a peça em um período de três semanas. Os olhos de Coutinho, mais uma vez, estão voltados para os ruídos dessa encenação (a equipe de filmagens não é ignorada em suas observações) e para a tensão criada entre as experiências pessoais dos atores (externadas em um exercício logo no começo do filme) e o texto de Tchecov.  Vira teatro filmado da metade pra frente, mas, dentro dos últimos trabalhos do cineasta, é uma sequência das mais naturais, lógicas e interessantes.

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Já viu o trailer de “Where the Wild Things Are” (ou “Onde os Monstros Estão”, no Brasil), novo filme de Spike Jonze?

É baseado num livro infantil americano, daqueles cheios de ilustrações, publicado em 1963. Jonze se uniu a Dave Eggers para escrever o roteiro e chamou o Lance Acord (”Maria Antonieta”, “Encontros e Desencontros”) para dirigir a fotografia. Eggers, vocês sabem, é aquele mala que fundou a finada revista “Might” e publicou uma (mais ou menos) autobiografia chamada “Uma Comovente Obra de Espantoso Talento” em 2000. Ganhou elogios de meio mundo, mas não conseguiu me comover com tanta autocomiseração. A prévia, ainda assim, é muito bonita e empolgante como um trailer deve ser. E usar “Wake Up”, do Arcade Fire, como trilha de fundo foi lance de gênio.

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Just a Fest São Paulo. Então. Meio tarde para comentar os shows, mas algumas impressões rápidas: 1) Los Hermanos: que esperassem mais dois anos para um retorno mais quente e com membros mais interessados no ofício. Deu pra berrar e se emocionar com “Último Romance”, mas Marcelo Camelo não conseguia disfaçar o incômodo (mal aí se gritei alto demais, Marcelo). Dizem que a banda levou uns R$ 250 mil pela apresentação - dinheiro mais fácil do século. Assisti com pessoas queridas, com quem eu ouvia a banda quando tinha uns 18, 19 anos, o que deu sabor menos amargo à coisa. 2) Kraftwerk: primeira vez que os vejo ao vivo. A Chácara do Jockey parecia grande demais para os quatro, mas foi bom assistir ao show antes que ele vire peça de museu (não falta muito, creio).  3) Radiohead: 30 mil pessoas em silêncio esperando “Exit Music”. 30 mil pessoas querendo mais “Paranoid Android”. 30 mil pessoas acompanhando os grunhidos de Thom Yorke na esquizofrênica “Idioteque”. Banda voltando feliz para um terceiro bis.  Acho que testemunhei um marco geracional. E, pela primeira vez, não me sinto culpado por utilizar tantos superlativos. (Para uma análise aprofundada, clique aqui. Para uma crítica contundente à organização porca do festival, aqui)

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Jonas Brothers. Bonzinhos, cristãos, virgens, inofensivos. Censura dos shows no Brasil: 14 anos. Oasis. Beberrões, cocainômanos, brigões, blasfemos. Censura dos shows no Brasil: 12 anos. Alguém entende?

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Entrevistei Marcelo Tas, apresentador do “CQC” para o Abril.com. Propus falar apenas sobre o Twitter e ele topou. Tas é um dos primeiros brasileiros a ser pago para twittar, promovendo o XTreme, serviço de banda larga via fibra óptica da Telefônica. Por conta disso, o cara foi bastante atacado por lá. Para ele, as reações são “… uma conversa de cachorro magro, de complexo de inferioridade, de quem não convive com a possibilidade do sucesso”. Desconfio que os ataques têm mais a ver com a péssima reputação da Telefônica do que com o pioneirismo da situação, mas vale ler o que ele tem para dizer antes de sair mostrando toda sua revolta dando unfollow por aí.

Oi Thom, você por aqui?

But I’m a creep

I’m a weirdo

What the hell am I doing here?

I don’t belong here

Faltam só três dias para um dos shows mais aguardados por mim desde sempre. Espero que Thom Yorke seja mais legal comigo no domingo do que fui com ele neste post.

(sugestão da Karen)

Milk - sem voz para a igualdade

 

O pastor evangélico e dublador profissional Marco Ribeiro se recusou a dublar Sean Penn em “Milk – A Voz da Igualdade” alegando que “não teve vontade” porque “tem a voz envolvida com outras questões”. O caso foi noticiado pela Folha de S. Paulo de ontem. 

A esta altura, todo mundo imagina o porquê. Harvey Milk, personagem que rendeu o segundo Oscar de Penn, é um dos baluartes do movimento GLBT norte-americano. Foi o primeiro homem assumidamente gay a ser eleito para um cargo político nos Estados Unidos, ainda na década de 70. 

A igreja Assembléia de Deus, da qual Marco Ribeiro é pastor, critica a homossexualidade como muitas outras igrejas pentecostais. A reportagem da Folha sugere que Ribeiro teria recusado o papel para, basicamente, não arranjar mais confusão com a igreja. Marlene Costa, diretora de dublagem, disse ao jornal:

“Primeiro ele aceitou, depois viu o que era o filme e achou melhor não fazer para não ter aborrecimento. Pediu-me mil desculpas, expôs os pontos de vista dele. Não é que [Ribeiro] tenha algo contra homossexuais, é que as pessoas ao seu redor confundem sua profissão de ator com o lado religioso”

 De fato, Ribeiro deve ter provocado o aborrecimento de boa parte da Assembleia com os personagens que já dublou. Vejamos alguns:

 

Stanley Ipkiss, o Máskara (Jim Carrey) – deus pagão propagador do caos 

 

Willie Stark (Sean Penn) - político corrupto de “A Grande Ilusão”

  

Austin Powers (Mike Meyers) - agente secreto e fornicador

No Twitter, cheguei a pensar que ele havia dublado Sean Penn em “Sobre Meninos e Lobos”, mas me enganei.

Mesmo assim, Ribeiro tem um currículo polêmico e tanto (para um pastor pentecostal). Uma lista mais completa, e admirável, dos trabalhos dele pode ser encontrada aqui

Diante desses personagens, é fácil entender a recusa de Ribeiro: dublar um ativista gay poderia ser visto, dentro da lógica de sua comunidade, como outra provocação, outro papel condenável, a cereja do bolo amassado pelo diabo. 

Mas por que o dublador resolveu recusar um papel só agora, em “Milk”? 

Voltemos ao filme. Como supervisor eleito em San Francisco, Harvey Milk conseguiu aprovar leis que garantiam direitos civis a homossexuais e chegou a estender sua área de atuação para fora da cidade, usando suas alianças políticas para combater o movimento conservador empreendido pela cantora cristã Anita Bryant. Entre outras coisas, Anita defendia a aprovação de uma lei que expulsaria professores gays dos colégios públicos norte-americanos. Não muito diferente da caça às bruxas promovida por Joseph McCarthy contra comunistas. 

O longa de Gus Van Sant pinta o protagonista com tintas messiânicas. Além de visto como um brilhante orador e articulador de alianças pró-gays, ele também é retratado (não sem alguma redundância) como salvador da vida de jovens homossexuais por todo o país. É assassinado de forma covarde e, inevitavelmente, torna-se mártir para todo aquele povo. 

Anita, por sua vez, é a antagonista, chegando ao público como uma vilã – talvez a maior das combatidas pelo personagem no filme. Ela fala em Deus e na Bíblia toda vez que tenta defender seu ponto de vista. As imagens da cantora são todas de arquivo, o que, além de provar que aquelas sandices realmente vieram da boca da mulher, dão a ela uma aura inatingível, superior (Milk nunca a encontra cara-a-cara). Anita é a “força do mal” mais poderosa do filme. A vitória do político na batalha contra a lei proposta por ela é o clímax do longa. 

E, se você tem mais de dois neurônios, já sacou faz tempo de que lado a igreja de Ribeiro estaria se estivesse no meio dessa batalha. 

Uma explicação para a pergunta que fiz anteriormente seria essa: em “Milk”, Ribeiro, mais do que dublar um homossexual, dublaria um personagem “bom” que enfrenta uma “vilã” que segue os mesmos preceitos que ele. A mesma reportagem da Folha de S. Paulo diz que, no site da Assembléia, Ribeiro se pronunciou contra “‘famílias modernas’ em que não há a figura do pai ou da mãe, ou em que essas figuras são substituídas por casais do mesmo sexo… isto não é modernidade, e sim uma distorção do que Deus disse sobre o que deveria ser a família”. 

É de se imaginar que participar de um filme (mesmo que apenas como dublador) que critica cristãos de maneira tão direta causaria uma dor de cabeça fenomenal ao pastor. Seria, acima de tudo, uma grande incoerência. 

But the plot thickens

Leia a lista com atenção e perceba que um ataque ao núcleo da fé cristã não pareceu ser um problema para que Ribeiro dublasse Robert Langdon (Tom Hanks) em “O Código da Vinci” (2003), como aconteceu. Na trama, Langdon basicamente descobre que o livro que guia a vida do pastor e de seu rebanho está recheado de mentiras. 

À época, cristãos do mundo todo se voltaram contra Dan Brown, o autor do livro em que o filme é baseado, propondo boicote às obras. Não seria errado dizer que “O Código Da Vinci” ataca ideais de católicos e evangélicos com mais veemência que “Milk”. 

(A informação de que Ribeiro dublou Hanks no longa consta em diversos outros sites. Uma rápida busca no Google a confirma) 

Com isso, volto à pergunta anterior: se um herege como Langdon não foi um problema, porque um ativista homossexual o seria? 

Queria muito saber em quais outras questões Ribeiro “envolveu sua voz” para aceitar dublar um pesquisador herege em 2003 e recusar um ativista gay em 2009. 

Marco Ribeiro é um dublador muito competente e respeitadíssimo no meio. Até agora, parecia comprometido com todos seus personagens. Talvez, ao longo desses anos, ele realmente tenha sido aporrinhado por fiéis e finalmente se cansado da perseguição que sofreu por dublar figuras tão “polêmicas”. 

Ou talvez, para um pastor evangélico, defender um homossexual orgulhoso, feliz e combativo seja ofensa maior que dublar um pesquisador que desautoriza sua fé. 

 A lógica desta última hipótese parece torta, mas a guerra empreendida por cristãos contra homossexuais sempre foi regida desta maneira. A razão nunca teve espaço em uma luta movida pela fé.

 Anita Bryant e seus discursos frágeis e risíveis que o digam.

Oscar 2009 - um balanço pretensioso

17 acertos em 21 apostas - nunca fui tão bem de palpites sobre vencedores do Oscar.

Fui traído pela certeza da vitória de Mickey Rourke, subestimei o poder de “Milionário” em mixagem de som, superestimei o roteiro original de “Na Mira do Chefe” e, como o mundo todo, errei o filme em língua estrangeira. Acertei filme, direção, ator coadjuvante, atriz, atriz coadjuvante, longa de animação, roteiro adaptado, direção de arte, fotografia, figurino, documentário - longa, montagem, maquiagem, trilha sonora, canção, edição de som e efeitos especiais.

Não que eu tenha estudado a fundo os candidatos e acompanhado de perto outras premiações. A resposta é mais simples, como observou o Chico: o Oscar 2009 foi absolutamente previsível na revelação dos vencedores. Só me peguei esboçando uma reação - qualquer reação - quando os japoneses subiram ao palco e, principalmente, quando Sean Penn venceu. Isso porque eu torcia por Rourke, mas sempre soube que Harvey Milk tinha tantas chances de vitória quanto Randy The Ram.

Esta deve ser a décima quinta cerimônia do Oscar que acompanho até o fim. Não chegou a ser a mais previsível de todas (alguém NÃO se lembra da chatice que foi ver “Titanic”  ganhar absolutamente tudo em 1998?), nem a mais entediante. Mas foi, com boa dose de certeza, a mais diferente.

Foram anos seguidos de queda de audiência até a Academia notar que a trinca piadinhas-discursos-canções havia se transformado em um dos soníferos mais eficazes da TV. Em 2009, a força-tarefa montada para alavancar os índices incluiu a escalação de um galã simpático (Hugh Jackman), mudanças no velho esquema de apresentação dos indicados, aposta no humor “de grife” e juvenil e mistério, muito mistério.

Numa tentativa de forçar os espectadores a ligarem a TV, agências de imagem, a pedido da Academia, embargaram fotos da cerimônia até o fim da premiação. Nenhum portal pôde publicar fotografias do interior do Kodak Theatre até Hugh Jackman dar tchau. Dentro da mesma proposta de obrigar o espectador a acompanhar a festa inteira pela TV, poucos nomes de apresentadores foram revelados. A ordem de entrada deles no palco continuou uma incógnita até o começo do show. Se a sua priminha fã de “Crepúsculo” quisesse ver Robert Pattinson, teria de engolir umas boas duas horas de cerimônia.

No humor, mais mudanças. Jackman fez poucas piadas e concentrou-se em seus números musicais - o único bem sacado, ainda que inofensivo, foi o da abertura, com versões “pobres” dos longas indicados. Já a homenagem aos musicais de Hollywood comandada por Baz Luhrmann nos fez lembrar que o Oscar, mesmo quando um tiquinho diferente, continua a ser o Oscar.

Judd Apatow, provavelmente o principal nome da comédia americana hoje, expandiu sua grife com um segmento estrelado por Seth Rogen e James Franco. Nada memorável, mas o mais próximo que o um quadro do Oscar chegará um dia de uma esquete do MTV Movie Awards (os personagens de Rogen e Franco estavam emaconhados, lembre-se).

A MTV, aliás, parece ter sido descoberta pelos produtores com uns 20 anos de atraso. Os clipes dos filmes de ação, comédia e romance exibidos ao longo da festa tiveram Coldplay e The Hives como trilha sonora e uma montagem com cara de ter sido realizada por algum ex-estagiário da ex-emissora musical.

Pra mim, a novidade mais interessante foi a introdução de “padrinhos” e “madrinhas” nas categorias de atuação. A apresentação personalizada de cada um dos indicados alongou a cerimônia, mas permitiu que nomes como Shirley MacLaine e Joel Grey ressurgissem do lugar a que foram relegados depois de terem levado o carequinha dourado para casa. Ver a veterana MacLaine arrancar lágrimas da jovenzinha Anne Hathaway valeu a noite.

As mudanças, pelo visto, surtiram efeito: segundo a Variety, a audiência da festa deste ano subiu 6% em relação à do ano passado, quando os índices de televisores ligados na cerimônia bateram recordes negativos.

***

Ah, sim: a lavada de “Quem Quer Ser Um Milionário?” - oito estatuetas em dez indicações - tem sido interpretada como um sinal de boas-vindas que a meca do cinema dá à Bollywood, prima pobre e ainda mais prolífica. Não discordo. Mas, se Hollywood é amiga, é daquelas que só aparecem quando “precisam de uma forcinha”. Em tempos de recessão, o magérrimo modelo de negócios do cinema indiano - produções baratas, audiência duas vezes maior - parece atraente demais para uma indústria obesa, atolada em produções caríssimas e desesperada com a pirataria.

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Last, but not least: Ben Stiller tirando um sarro do sarrista Joaquin Phoenix foi engraçado, mas culhões pra sacanear Christian “Fucking” Bale ninguém teve, né?

Apostas para o Oscar 2009 (que é hoje!)

O esquindô tem jogado o Oscar para escanteio este ano (esquecimento até merecido, se pensarmos em quão chata a cerimônia tem sido nos últimos anos).

Mas, para hoje, os organizadores prometem uma festa mais enxuta, dinâmica e engraçada. Reservaram apenas três minutos para a apresentação de todas as músicas, o que é bom sinal.

Vou cobrir tudo ao vivo para o Abril.com a partir das 21h, mas deixo minhas apostas registradas aqui.

Melhor filme
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Milk”, pra vingar “Brokeback Mountain”

Melhor direção
Ganha: Danny Boyle - “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: Gus Van Sant - “Milk”

Melhor ator
Ganha: Mickey Rourke - “O Lutador”
Merecia: Eu só ficaria satisfeito com um empate triplo: Rourke, Sean Penn e Frank Langella.

Melhor ator coadjuvante
Ganha: Heath Ledger - “Batman - O Cavaleiro das Trevas”
Merecia: Heath e Downey Jr “negão”.

Melhor atriz

Ganha: Kate Winslet - “O Leitor”
Merecia: Kate Winslet.
Dêem um Oscar antes que ela chore: Kate Winslet

Melhor atriz coadjuvante
Ganha: Penélope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona”
Merecia: Penélope, Marisa Tomei ou Viola Davis, a única ponta de dignidade em “Dúvida”.

Melhor longa de animação
Ganha: “Wall-E”, mas “Kung Fu Panda” pode surpreender
Merecia: “Wall-E”
Me irritaria: “Kung Fu Panda”

Melhor roteiro adaptado
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Frost/Nixon”

Melhor roteiro original
Ganha: “Na Mira do Chefe”
Merecia: “Milk”

Melhor filme em língua estrangeira
Ganha: “Valsa com Bashir”, de Israel.
Merecia: whatever

Melhor direção de arte
Ganha: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Merecia: “A Troca”

Melhor fotografia
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “A Troca”
Quem foi o cego que esqueceu de: “Milk”?

Melhor figurino
Ganha: “A Duquesa”
Merecia: “Milk”

Melhor documentário - longa
Ganha: “Man on Wire”
Merecia: ih…

Melhor montagem:
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: “Milk” ou “Frost/Nixon”

Melhor maquiagem
Ganha: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Merecia: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Melhor trilha sonora
Ganha: “Quem Quer Ser um Milionário?” – A.R. Rahman
Merecia: “Wall-E” ou “Milk”

Melhor canção
Ganha: “Jai Ho” – “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merecia: entre os indicados, “O Saya” – “Quem Quer Ser um Milionário”. Mas esqueceram de tanta gente – Bruce Springsteen, pra começar – que quem se importa?

Melhor edição de som
Ganha: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”
Merecia:  “WALL-E”, mas “Cavaleiro das Trevas” também é uma escolha justa

Melhor mixagem de som
Ganha: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”
Merecia: “Batman - O Cavaleiro das Trevas”

Melhores efeitos especiais
Ganha: “O Curioso Caso de Benjam- Button”
Merecia: “Homem de Ferro”

O apocalipse será blogado

Então o fim é assim: nenhum flashback de anos em milissegundos, nenhuma luz acompanhada de uma voz gutural que, apesar da gravidade, te acalma (garante minha mãe). Em 2009, as trombetas do apocalipse são um pouco menos melodiosas: é “Rodei porque a fusão do Itaú com o Unibanco fez o meu chefe perder seu principal cliente”. Ou “Fui despedido porque trabalho numa divisão supérflua da minha empresa”.

Tem ainda a sua prima, aquela que vive ilegalmente em Boston há um ano, reclamando em tiopês no MSN: “num tm masi vag nenhm nem no Stbuks =( ” (“não tem mais vaga nenhuma nem no Starbucks =(”).

É a crise.

Fizeram com que eu acreditasse que Yahoo!, Nokia e Caterpillar demitindo 10% de sua força de trabalho são a representação contemporânea para o que soava tão mais interessante (esteticamente, ao menos) na Bíblia. E eu acredito. Acredito tanto que blogo sobre isso. Estou verdadeiramente apavorado. Você não?

Sinto saudades de quando eu era assombrado por um fim do mundo representado em um asteróide com aparência de batata desenhado em alguma enciclopédia empoeirada impressa nos anos 70. Ou de “The Day After”, com aquele cara sem-graça de “3rd Rock From The Sun” e “Síndrome de Cain”.

Mas a realidade é bem menos divertida, muito mais lógica e penosamente mais lenta. Wall Street quebra. Americanos obesos perdem seus SUVs e casas de madeira-que-parece-isopor. Os Estados Unidos quebram. A Islândia quebra (pensei agora: imagina se a Bjork lança um disco para ajudar seus compatriotas falidos? A situação só piora, minha gente!). O Reino Unido quebra. A Alemanha quebra. O Japão quebra. A gente dá um crédito a Lula e o Brasil realmente não quebra, mas volta a apresentar indicadores econômicos pré-Plano Real.

Então você perde aquela vaga que demorou tanto para conseguir, suga seu auxílio-desemprego, vende os móveis que ainda não acabou de pagar, usa a grana da rescisão para quitar a multa do contrato de aluguel, se enfia na casa de um amigo, fica lá por duas semanas até perceber que o melhor a fazer é voltar pra casa dos pais aposentados e manter um blog que custa 10 reais de hospedagem por mês, não dá muita grana mas te distrai do desmoronamento mundial.

Tem gente que acredita que o mundo só acaba mesmo em 2012, que o anticristo já está entre nós (oi, Putin), que o LHC vai derreter a Via Láctea. Talvez seja melhor me juntar a esse grupo que adora uma fantasia e não percebe que o fim já está aí pra quem quiser vê-lo.

Então, otimista que sou, desejo que um asteróide em formato de batata se materialize próximo a Júpiter e entre em rota de colisão com a Terra. E torço para que seu impacto esteja previsto para antes de eu ler a próxima manchete aterrorizante escrita pelo sujeito que perderá o emprego, venderá os móveis e voltará a morar com os pais.

Coelhinha da Playboy fala sobre assédio na Campus Party

Acompanhei pelo Twitter a última polêmica da segunda edição da Campus Party: o assédio à Ana Lúcia Fernandes, coelhinha ruiva da Playboy que ficava no estande da Abril Digital quando não estava circulando pelo evento nerd. No sábado (24), a moça, que é capa da Playboy de dezembro de 2008, teve a bunda apertada por um campuseiro. Aparentemente, o bronco o fez por conta de uma aposta com amigos.

A comoção em torno do caso aumentou quando uma foto de Ana Lúcia chorando foi postada no Flickr. Rapidamente, o espaço dos comentários da imagem foi tomado por uma discussão. Tem gente que, pelo visto, achou normal a mulher ser bolinada por lá.

Falei com Ana Lúcia por telefone. Ela não se lembra exatamente do nome do sujeito que a bolinou, mas confirmou que ele é mesmo o cara apontado no Twitter e no Flickr como responsável pelo assédio. E, na entrevista que me deu (publicada no Abril.com), afirmou que não vai processá-lo, mas que muda de ideia se ele mover alguma ação contra quem o acusou na web. Mexe com ela, mexe!

O que aconteceu na Campus Party, exatamente?
No sábado e no domingo o evento foi aberto ao público. Muita gente se aproximava e faltava com o respeito…

O que essas pessoas te falavam?
Ah, coisas como “Se eu tivesse uma mãe assim, mamaria até os 30 anos”. Eram as mesmas pessoas que tiravam foto com a gente todos os dias que falavam isso. Mas a maioria respeitou e tratou com carinho.

Alguém realmente apertou seu bumbum quando você tirava foto?
Eu já tinha tirado foto com esse cara (identificado no Twitter como LewisIceman) várias vezes. Aí ele deu uma apertada bem forte. Fiquei indignada, porque o tratei com carinho, com respeito. Falei: “Você tá louco? Tem noção do que fez?”. E como eu estava vestida de coelhinha, representando a Playboy, não podia perder a pose. Fiquei chateada. Sei que estou exposta a esse tipo de coisa, mas ele estava errado.

Isso já havia acontecido alguma outra vez?
Em dois anos e meio como coelhinha, essa foi a segunda vez. Da outra vez foi em uma festa da revista. O cara que fez isso foi colocado para fora do lugar.

Você chegou a ver as pessoas te defendendo no Flickr e no Twitter?
Vi sim, gostei. Eles defenderam todas as mulheres, não só a mim.

Você pretende tomar alguma atitude legal contra o cara que apertou seu bumbum?
Prefiro esquecer, processá-lo não vai me ajudar em nada. Mas se ele processar as pessoas (que o acusaram), como ameaçou lá no Flickr e no Twitter, aí eu mudo de ideia.

(Agradeço mais uma vez ao Samuel, do Flickr Skateonrails, por ter liberado a foto para uso lá no Abril.com)

Lost volta hoje!

“Lost”, minha série de ação preferida, a única capaz de fazer eu me comportar feito um hooligan em dia de Arsenal x Manchester United, volta a ser exibida hoje nos EUA! Celebrando, publiquei uma lista com os 20 momentos mais cheios de emoção, tensão, magia & sedução de todas as quatro temporadas lá no Abril.com.

Confira minhas cenas preferidas de “Lost” a seguir - em ordem cronológica, não de estupefação.

(O Sr. Bruno Dias, mais macabro, listou todas as mortes da série até hoje. Veja aqui.)

1. Jack abre os olhos e encontra os destroços
A primeira cena do primeiro episódio da primeira temporada de “Lost” dá o tom exato do que assistiríamos nos próximos anos: sem saber onde está ou o que aconteceu, Jack acorda e caminha desnorteado até encontrar uma praia cheia de sobreviventes e destroços do avião ainda em chamas.

2. Locke andava em uma cadeira de rodas
Um dos grandes choques do começo da primeira temporada vem em um flashback no quarto episódio, “Walkabout”: Locke era paraplégico até chegar à ilha.  Ninguém sabe ao certo como ele se curou. Mas o acidente que o levou à cadeira de rodas é explicado algum tempo depois, na terceira temporada.

3. Ethan não é um sobrevivente do acidente

Acontece no 10º episódio, “Raised by Another”. Infiltrado entre os sobreviventes do vôo 815, Ethan é descoberto por Hurley quando ele confere a lista de passageiros e percebe que o homem misterioso não estava no avião. É o primeiro contato do público com um “Outro”.

4. O sequestro de Walt

Um grupo dos sobreviventes passa parte da primeira temporada construindo uma jangada de madeira para tentar fugir da ilha. Nela embarcam Michael, Walt, Sawyer e Jin. No último episódio da temporada, o grupo finalmente coloca a jangada no água mas, horas depois, encontra um barco em alto mar. São os Outros, e eles levam Waaaaaalt.

5. A escotilha
Nos dois últimos episódios da primeira temporada, os personagens encontram uma escotilha que, à primeira vista, parece impossível de ser aberta. Jack, Kate, Locke e Hurley conseguem dinamite para explodir a porta (o pobre Arzt fica no caminho). Mas Hurley nota os números malditos – 4, 8, 15, 16, 23 e 42 - escritos no metal e tenta impedir a explosão. Tarde demais. Em um cliffhanger memorável, a câmera entra pelo tubo da escotilha mas não mostra o que diabos há lá dentro.

6. Por dentro da escotilha

O primeiro episódio da segunda temporada começa no que parece ser uma casa dos anos 70. Um homem acorda, se exercita e toma café da manhã ao som de um hit do The Mamas & The Papas. A gente só descobre que a “casa” é a famigerada escotilha do fim da primeira temporada quando o homem – Desmond, que se tornaria um dos personagens mais importantes da série a partir de então - observa Locke e Jack segurando suas tochas, tentando adivinhar o que encontrariam por ali.

7. Os sobreviventes da cauda
Jack, Locke, Sawyer & Cia não são os únicos sobreviventes do vôo Oceanic 815. No sétimo episódio da segunda temporada, “The Other 48 Days”, descobrimos que passageiros da cauda do avião caíram em outro lugar da ilha e sofreram o pão que Jacob amassou nas mãos d’os Outros e de uma líder esquentadinha, Ana Lucia.

8. O que aconteceu a Claire
Claire foi seqüestrada por Ethan no 11º episódio da primeira temporada (“All The Best Cowboys Have Daddy Issues”), mas foi só no 15º episódio do segundo ano (“Maternity Leave”) que descobrimos por onde a australiana andou: ela foi levada a uma estação Dharma onde Ethan, trajado como médico, aplicou-lhe uma injeção. Soubemos depois que o medicamento salvou a vida de Claire.

9. Michael mata Libby e Ana Lucia

Seqüestrado pelos Outros no fim da primeira temporada, Walt, o insuportável filho de Michael, é o responsável indireto por uma das reviravoltas mais chocantes da série. Chantageado pelo misterioso Henry Gale (que mais tarde se revelaria Ben Linus, líder dos Outros), Michael mata Ana Lucia e Libby a fim de libertar o prisioneiro e reaver o filho. A tragédia acontece no 20º episódio da segunda temporada, “Two for the Road”.

10. O responsável pela queda do avião
Descobrimos o que houve com o vôo no último episódio da segunda temporada, “Live Together, Die Alone”. Depois de naufragar na ilha, o “brotha” Desmond é levado para a escotilha, onde é encarregado por Kelvin, funcionário da Iniciativa Dharma, a colocar os números no computador. Após uma briga com Kelvin, Desmond deixa de digitar a combinação e a escotilha começa a tremer, como se fosse desmoronar. Ele não sabia, mas a falha que provocou no sistema naquele dia liberou uma grande carga eletromagnética da ilha, afetando um avião que passava por ali: o do vôo Oceanic 815, claro.

11. Desmond começa a ter visões do futuro
Após a explosão da escotilha no final da segunda temporada (que gerou outra cena incrível, a do céu cor-de-rosa), o “brotha” começa a ter visões estranhas, como se previsse o futuro. Entre outras coisas, durante o 8º episódio da terceira temporada (“Flashes Before Your Eyes”), Desmond revela que a vida de Charlie está em perigo. E, como sabemos, ele não estava errado.

12. Claire é irmã de Jack
A mais sinistra das ligações entre personagens de “Lost” é revelada no 12º episódio da terceira temporada, “Par Avion”. Claire descobre que é filha de Christian Shephard. Portanto, é irmã de Jack. Mas, claro, nenhum dos dois personagens sabe da ligação.

13. Locke é jogado da janela por seu pai
Sabemos desde a primeira temporada que Locke era paraplégico antes de chegar à ilha. Mas foi só no 13º episódio da terceira temporada, “The Man from Tallahassee” que descobrimos como ele foi parar lá: depois de roubar seu rim, o pai de Locke (maior filhodaputa de toda a série) joga o filho do oitavo andar de um prédio. Locke sobrevive, mas não pode mais andar.

14. A morte de Paulo e Nikki
Este momento só entra na lista porque tem um gosto especial para os brasileiros. Rodrigo Santoro participou de alguns episódios da terceira temporada como Paulo, personagem sobrevivente do vôo 815 que não caiu (sem trocadilhos) no gosto do público. Por conta disso, ele e sua companheira, Nikki, foram mortos pelos roteiristas/produtores (eles admitiram isso em podcasts). E a morte rola da maneira mais macabra possível: no 14º episódio, “Exposé”, o casal é picado por uma aranha que os deixa em estado de sono profundo. Tomados como mortos pelos outros sobreviventes, os dois são enterrados vivos!

15. Todo o último episódio da terceira temporada
No último episódio da terceira temporada, o público se despede de um de seus personagens mais queridos, Charlie. Na tentativa de salvar Desmond e a estação submarina, o músico se tranca em um compartimento e morre afogado. Mas, antes, consegue avisar ao brotha que o barco que os espera lá fora não é o de Penny. No mesmo episódio, Jack é visto em um funeral de uma pessoa desconhecida, mistério que foi esticado por uma temporada inteira. Logo depois, somos apresentados à maior inovação narrativa da série. Descobrimos que os flashbacks do episódio, na verdade, mostram Jack e Kate fora da ilha, no futuro. São flashforwards e significam o começo de uma nova era em “Lost”.

16. Aaron vira filho de Kate
Não só Kate e Jack conseguiram sair da ilha, como também Hurley, Sayid e Sun. Aaron, filho de Claire, é o sexto elemento dos Oceanic Six, o grupo de sobreviventes do vôo 815 que ganha fama mundial após ser resgatado. Como parte de uma história falsa bolada pelo grupo, o bebê é criado como filho de Kate, algo que só descobrimos na última cena do 4º episódio da quarta temporada, “Eggtown”.

17. O retorno de Michael
O cargueiro que chega à ilha atrás dos sobreviventes traz a bordo um passageiro familiar: Michael, que está no navio a serviço de Ben, sob o nome Kevin Johnson. O pai de Walt se revela a Sayid e Desmond no 7º episódio da quarta temporada, “Ji Yeon”. No capítulo seguinte, “Meet Kevin Johnson”, descobrimos o que aconteceu a Michael desde sua saída da ilha, na segunda temporada, até a reaparição na quarta, a bordo do navio.

18. Encontro com Christian na cabana de Jacob
No 11º episódio da quarta temporada, Locke está à procura da cabana de Jacob e acaba encontrando um mapa para o local dentro do macacão de um falecido funcionário da Dharma. Lá dentro, em uma das cenas mais assustadoras de toda a série, o personagem vê Christian Shephard e Claire, juntos e estranhamente calmos. Ao sair, Locke tem na ponta da língua a solução para salvar a ilha de ameaças externas: movê-la!

19. A ilha se move
Jacob manda, Ben faz. Após a revelação de Locke na cabana, Ben parte rumo à estação Orquídea. Lá dentro, mata Keamy, chefe dos mercenários do cargueiro, veste um macacão Dharma e move uma roda em uma sala coberta de gelo. Então, puf! A ilha some! A cena, inacreditável, é mostrada no último episódio da quarta temporada. Como já sabíamos há algum tempo, através dos flashforwards, Ben vai parar no meio de um deserto africano após a manobra inusitada

20. Locke está morto
No último episódio da terceira temporada, Jack vai a um funeral, mas ninguém sabe de quem. Um caixão é mostrado, mas a identidade do morto não é revelada. O mistério perdura por toda a quarta temporada e só é resolvido no último episódio: o funeral é o de Locke. Ninguém sabe como o personagem morreu ou apareceu ali – lembre-se que ele estava na ilha quando ela foi movida por Ben.

Oito maiores motivos de mimimi no Twitter

O Twitter é uma fábrica de reclamações. A pergunta “What are you doing?” e a simplicidade de uso da ferramenta estimulam updates impensados, espontâneos e, por isso mesmo, muitas vezes irritantes e repetitivos.

Mimimis (apelido carinhoso para reclamações na era da web 2.0) existem em qualquer timeline, mas oito assuntos parecem dominá-los. Check’em. Eu me encaixo em uns cinco.

8. Discussões sobre comida
Se você twitta direto do almoço naquele restaurante japonês incrível nos Jardins, espere por um reply dizendo que comida japonesa é horrível, que onde já se viu comer algo cru?, que bom mesmo é picanha!. Se você diz que comida japonesa é horrível, espere por um reply dizendo que você é louco!, que tem paladar infantil e que vai morrer aos 35 de infarto do miocárdio por causa dessa picanha que você acabou de elogiar.

7. PC lento

Você navega na internet usando um Celeron recauchutado, ouve música no iTunes, conversa no MSN e grava um DVD enquanto navega usando o Internet Explorer 6. Aí, emputecido com a lentidão da máquina, extravasa a raiva postando no Twitter através do Twhirl. Você merece cada crash do seu sistema, amigo.

6. Big Brother (ou qualquer programa que divida opiniões)
Se sua linha do tempo é dominada por tweets sobre o BBB (tipo “Hahahah, olha a Naiá de biquíni enfiado no rego!”ou “Esse Max se acha o artista, mas é muito babaca!”), a reação natural é… reclamar da invasão do seu Twitter por esse povo sem cultura que gosta de programas de TV superficiais, LÓGICO. Porque reclamar é sempre muito mais fácil que dar unfollow (#máxima do Twitter número 1).

5. Odeio Natal ou Odeio Casamentos ou Odeio Festa da Firma

Não precisa dizer. Poupe-nos de alguns mimimis. Acredite: se você prefere twittar suas mágoas para o mundo a encher a cara e se acabar de dançar num desses eventos, a gente já sabe sua opinião de antemão.

4. Namoro

Em relacionamentos, o Twitter funciona como uma versão web 2.0 daquelas frases auto-afirmativas que gente imatura coloca no MSN para provocar o(a) namorado(a) (“João - Não trato com prioridade quem me trata como opção!” ou “BeLLyNhAaA - StrOonGeRr ThAnnN YesTerrdaYYYxxx”).  O efeito é o mesmo: nenhum. O caminho natural é partir para indiretas. Que ficam cada vez mais diretas. E, por conta disso, cada vez mais mimimi.  Quando o namoro acaba, haja choramingo. Baseado nas leis de Morrissey (I was driving my car /I crashed and broke my spine / So yes there are things worse in life than / Never being someone’s sweetie), recomendo unfollow.

3. Blogueiros
Sou dos que acham um saco acompanhar tweets de pro-bloggers em um de seus dias de princesa testando as novas Havaianas em alguma ilha no litoral do Espírito Santo. Como a lei que rege as discussões sobre blogosfera parece ser “fight fire with fire”, a turma anti-jabá capricha na chatice.  E, em poucos minutos, sua timeline é tomada por mimimis de um assunto que não te interessa a não ser que você seja um analista de social media. Ou o Cardoso.

2. Trabalho
O Twitter bomba mesmo é no trabalho (se tem dúvida, observe o marasmo de sua timeline aos sábados e domingos). E já que acessos de raiva viram updates de 140 caracteres com grande facilidade no maravilhoso mundo dos microblogs, nada mais comum do que encontrar opiniões comprometedoras sobre chefes, colegas de bancada e refeitórios da firma no perfil mais próximo.

1. Clima
A típica conversa de elevador é o hit mimimi máximo no Twitter.  No verão, todo mundo deseja um ar-condicionado. No inverno, tudo o que todo mundo quer são alguns míseros raios de sol. Como falar mal do clima parece inevitável no meio, sugiro, pelo bem da sanidade de São Pedro, escolher um lado e só reclamar em uma das estações. Que tal?